sábado, 18 de outubro de 2008

Música de Moçambique: entre a miséria e o sublime

A música moçambicana é bastante rica devido aos diversos instrumentos tradicionais que possue.
Entre muitos, cito apenas alguns exemplos, excluindo naturalmente os vários tambores que, de um modo geral, são universais.
Temos o Pankwe, o xigoviana, citata (este feito com uma cabaça envolta em pele de Jiboia), a Xipalapala.
Devido ao facto de muitos instrumentos musicais modernos serem bastante caros e os músicos serem uns “desgraçados” (nem sequer tem dinheiro para comprar cordas), muitos fabricam as suas próprias violas, utilizando latas e madeira e arame normal, conseguindo mesmo assim produzir sons de encantar o ouvido mais mal educado que existe à face da terra.
Mas o expoente máximo da cultura musical moçambicana está na Marimba. Anualmente, realiza-se um festival dos Marimbeiros de Zavala, onde exímios tocadores da timbila e poetas de ocasião, famosos em todo o mundo, podem ser vistos a cantar e dancar.
Curiosidade: os Marimbeiros de Zavala foram classificados pela Unesco como Património Cultural da Humanidade.
Na foto, um marimbeiro cego, à beira da Estrada Nacional número 1, que liga o sul, o centro e o norte de Moçambique.

A Miss Pemba/2008: a beleza da etnia Macua

Sexta-feira assisti a diversas manifestações culturais que estão a marcar os 50 anos da cidade de Pemba, situada na terceira maior baía do mundo. Uma das trinta que constituem o Clube das mais belas do mundo.
Foi eleita a Miss Pemba/2008. Está entre as que se podem ver nas imagens.
O caricato: se estivesse no júri em nenhuma das concorrentes daria o meu voto, simplesmente porque as verdadeiras misses, essas, encontravam-se entre a assistência. Eram “aningue nices”.

Pemba: a mais bela baia do mundo




A viajem de carro do sul ao norte de Moçambique, ou seja de Maputo à cidade de Pemba, começou no dia 15.
O trajecto percorreu a Estrada Nacional número 1, a chamada espinha dorsal de Moçambique, numa distancia de 2.500 km.
Atravessei savanas, planíces, rios e riachos, parques naturais; tomei contacto com as gentes e seus usos e custumes, num mosaico constituído por cerca de duas dezenas de tribos e etnias; testemunhei as alegrias e tristesas e sonhos dos moçambicanos; senti o pulsar de um país que ainda luta para proporcionar à grande maioria dos seus cidadãos pelo menos uma refeição por dia.
E a cada kilometro percorrido novos Moçambiques ia descobrindo.
Estou em Pemba. É a capital da província de Cabo Delgado. Neste dia 18, Pemba comemora as suas Bodas de Ouro, pois foi a 18 de Outubro de 1958 que o poder colonial português decretou que o vilarejo já tinha estatuto para ser cidade.
Esta cidade está implantada na terceira maior baía do mundo, tendo sido recentemente admitida pela Unesco como membro do Clube das Trinta Mais Bonitas Baías do Mundo.
As festividades das Bodas de Ouro da Cidade/Baía de Pemba começaram no dia 17 e vão atingir o clímax este sábado com várias manifestações cultural.
O turismo é a sua principal fonte de riqueza, visitando a Baía de Pemba milhares e milhares de turistas, maioritariamente europeus, americanos e canadianos (canadenses) e asiáticos. Não se tem memória de turista brasileiro, infelizmente, embora cidadãos do Brasil se encontrem a viver e a trabalhar em várias cidades de Moçambique.
Na imagem acima pode se ver: Mahomed Galibo, Director da Televisão de Moçambique, eu (Edmundo) agachado e António Marques, Director do ATCM (Automóvel Touring Clube de Moçambique) um “doido” pelas incursões automobilísticas pelo país inteiro. A sua proxima avetura fara o trajecto Maputo (Mocambique) e Zamzibar (Tanzania). Falarei de ambos em proximas ocasioes.

Incursão pelo Moçambique profundo

Ninguém pode reclamar ter mais conhecimentos que o outro sobre o seu próprio país.
Um país sempre será um espaço geográfico e temporal que esconde segredos e mistérios, que se vão desvendando num desfiar interminável dos nós de uma corda cuja ponta é inalcançavel.
Quero com isto dizer que o conhecimento completo do meu país, Moçambique, só pode ser encontrado no somatório dos conhecimentos que estão na posse de cada um dos dezoito milhões de moçambicanos, eu incluído. Os outros, os pesquisadores estrangeiros sobretudo, apenas têm informações técnicas, dispersamente sistematizadas.
Para mergulhar no Moçambique profundo nada mais simples do que, de mochila nas costas, gravadores de som e imagem, encetar, de preferência desprogramado, uma viagem do sul ao norte do país.
Estou pois mergulhado nesta aventura: Já palmilhei de carro desde o dia 15, 2.500 kilometros, desde a capital do país, Maputo no sul, encontrando-me agora em Pemba, no no norte.
É claro que foi uma das mais belas das milhentas de aventuras que já empreendi, apenas com a particularidade de esta decorrer num Moçambique que se desenvolve ao ritmo das exigências da chamada globalização.
Nos próximos dias, contem com curiosidades deste “Moçambique moçambicano”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

De Moçambique um "maningue nice"

Chamo-me Edmundo Galiza Matos. Moçambicano. Jornalista de profissão há cerca de 30 anos. Sempre no serviço público de radiodifusão de Moçambique: Rádio Moçambique.

Ingressei no jornalismo alguns meses depois da proclamação da independência de Moçambique, em 1975, após o derrube do regime colonial-fascista português, com a chamada “revolução dos cravos”, a 25 de abril de 1974.

Tal como muitos jovens moçambicanos na altura (1975), também fui chamado a substituir os portugueses que então abandonavam Moçambique de regresso a Portugal por não concordarem com a independência do meu país.

Quer dizer: apreendi o ofício de jornalismo – de radiófilo neste caso – na prática, uma vez que não houve tempo para frequentar algum curso.

Com o passar dos anos, e depois de tantos erros cometidos, tanto eu quanto outros jovens, fomos adquirindo experiência na profissão, ouvindo estações de rádio estrangeiras que era possível sintonizar (da África do Sul, sobretudo), o que me permitia o aperfeiçoamento do meu desempenho.

À medida que o país ia tomando as rédeas do seu destino muitos dos jovens jornalistas inexperientes eram enviados para o estrangeiro (sobretudo para os países do bloco comunista mas também para Portugal, Cuba e até Brasil) para se aperfeiçoarem nas várias vertentes do jornalismo radiofónico.

Não estarei errado se disser que hoje os melhores jornalistas que Moçambique possue (em rádio, televisão e imprensa escrita) são todos audidatas, ocupando hoje, muitos deles, cargos de chefia nos diversos orgãos de comunicação social, incluindo os privados.

Neste momento, para além de editar e apresentar jornais radiofónicos, sou produtor e apresentador de um programa essencialmente musical, que achei por bem chamar de “O Clube dos Entas”, destinado a um auditório da faixa dos 40/50/60 anos: daí os “Entas”. Basicamente, o programa fala e passa a música da minha geração: desde o jazz e as suas variantes até ao Blues, Rock, Fusion, a Nova Trova Cubana (Sílvio Rodriguez, Sara Gonzalez, Pablo Milanés, etc), a MPB (Caetano, Chico, MBethânia, Gal Costa, HPascoal, ILins, GVandré, MNascimento, GGil, etc). Detesto Roberto Carlos e toda essa gentalha que está sempre a “choramingar”.

Para uma percepção das minhas inclinações culturais e outras, o meu “wwwclube70.blogspot.com está aí disponível. Refiro que a “cultura” da blogosfera é ainda “criança” em Moçambique, tal como se pode aferir da qualidade do sítio.

Quanto à minha coloboração para o “jazzmanbrasil”, sugiro o envio de toda e qualquer informação sobre a música e outras expressões de arte não só do meu país, como também de África, com principal enfoque para a região da África Austral.

Por isso, meus caros amigos, eis-me aqui, inteiramente à vossa disposição.
O meu endereço é:
Edmundo Galiza Matos: eagmatos@gmail.com
Maputo, Moçambique
Telefone +258 82 427 9 568 (móvel)
+258 21 78 11 11 (casa)
Blog: wwwclube70.blogspot.com (Att: depois dos w´s não colocar o (.) ponto.
Um abraço e até breve

O Encontro do Século

JazzMan! e Joelma

Nanda e eu estávamos passeando no Mangal das Garças quando de repente nos deparamos com a Joelma... isso mesmo, Joelma, a cantora da Banda KY, quer dizer, Calypsooooooooo. ela estava cheia de fãs ao seu redor pedindo autógrafos e o bacana foi que ela se mostra muito simpática ao atender a todas as solicitações. vocÊs podem falar o que for da música dela, que ela não canta nada, que o Chimbinha é péssimo, mas em nenhum momento ela teve um ataque de estrelismo. Como ela já disse em diversas entrevistas, ela tem total conciência do que representa para o povo paraense. agora tentem encontrar com Chico Buarque no Leblon e pedir um autógrafo a ele...

É claro que quando vi aquela mulher, para conquistá-la tive que rebolar, pois na noite anterior a lua me traiu e eu corri atrás de um doce mel. cheguei e gritei: "joelma, saí do rio so para ver o seu show!" (mentira). Ela olhou pra mim, deu aquele sorriso maroto e sensual, e fez questao de me dar um forte abraço. hoje eu posso falar: já dei um cheiro na Joelma!


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Incursão Amazônica: Diário de Bordo II

Jazzman! batendo um dedinho de prosa no Mangal // Foto: Fernanda Melonio

Prezados amigos,

Cá estou de volta com a segunda parte da minha odisséia belenense com a Nanda. Olha, Belém é uma cidade que cansa! Opções não faltam aqui: bons lugares para comer, beber, passear ao léu e se entreter de um modo geral. Sem esquecer do povo de Belém que, apesar de alguns percalços urbanos, está sempre sorridente e hospitaleiro para lhe receber.

Turistão // Foto: Fernanda Melonio

Nestes últimos dias deu para conhecer muitos lugares pelas ruas bacanas e cheias de mangueiras da Grande Belém. Por causa do Círio, as ruas estão todas enfeitadas com imagens e enfeites dedicados a Nossa Senhora de Nazaré. A avenida que leva o nome da Santa – e que faz parte do itinerário da procissão – está lindíssima, parece até que estamos no Natal.

Na última terça-feira fiz um daqueles passeios obrigatórios de Belém: na parte da Cidade Velha, onde fica o marco zero da cidade, a gente se depara com o Complexo Feliz Luzitânia (primeiro nome da cidade), onde é possível ver um pouco da Belém colônia do século XVII / XVIII. Nesse trajeto histórico se destacam o Forte do Presépio, que os portugueses usavam como proteção contra ataques de diversos povos e tribos (sendo que eles mesmos eram os responsáveis pelo massacre destas); o Museu do Encontro, dentro do Forte, que mostra um pouco da história da região amazônica desde a pré-história aos dias de hoje; a exuberante Casa das Onze Janelas; o Museu do Círio, que conta toda a história da festa desde a sua primeira procissão; o Palácio Antônio Lemos, que além de ser sede da prefeitura, abriga o Museu de Arte de Belém; o Palácio Lauro Sodré, que abriga relíquias do tempo em que Belém era conhecida como a Paris N’América; o Museu de Arte Sacra... Vi também a Igreja da Sé (Catedral Metropolitana de Belém), que infelizmente estava fechada para visitação por conta de uma reforma.

Casa das 11 Janelas // Foto: Fernanda Melonio

Forte do Presépio // Foto: Fernanda Melonio

Depois de andarmos muito por lá, demos um pulinho no Mangal das Garças, um parque cheio de opções onde é possível desfrutar de uma bela paisagem, contato direto com os animais e ter acesso ao Farol de Belém para obter uma vista panorâmica da cidade e das águas barrentas da Baía do Guajará. No farol ainda pudemos usufruir do espetáculo mais fascinante de Belém: o pôr do sol, com as suas luzes refletidas na Baía. Lindo!!!

Trapiche do Mangal das Garças visto do Farol de Belém
Foto: Fernanda Melonio

Belém vista do Farol // Foto: Fernanda Melonio

Espetáculo!!! // Foto: Fernanda Melonio

Aves do Mangal // Foto: Fernanda Melonio

Atendendo a indicações dos leitores belenenses do blog (e pedidos da Nanda, que adora o lugar), fui dar uma conferida no charmoso Café da Sol Informática, um point na parte nobre de Belém, onde os clientes podem desfrutar de boa música, comida e ótimo serviço sem pagar muito por isso. Na ocasião, pude tomar um delicioso frozen capuccino e ouvir o pianista Tynnôko Costa transitando em clássicos da música brasileira, como Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi) e Café com Pão (João Donato). Super recomendado!!!

Café da Sol // Foto: Fernanda Melonio

Também tive a oportunidade de conhecer o Parque da Residência, onde me acabei nos sorvetes da Cairu num vagãozinho charmoso de maria fumaça que antes fazia a rota Belém – Bragança. De lá, caminhamos até a Yamada, uma rede paraense de magazines e supermercados onde, para meu supremo espanto, encontrei uma iguaria dificílima de achar no Rio de Janeiro: Kaiser Gold, uma cerveja maravilhosa que não tem nada a ver com a Kaiser tradicional. A Gold tem um sabor encorpado e marcante, e uma coloração peculiar. O pessoal do sul já deve estar familiarizado com esta que foi eleita uma das melhores cervejas do Brasil.

Parque da Residência // Foto: Fernanda Melonio

Ontem foi dia de pegar a estrada e visitar alguns pequenos municípios vizinhos a Belém e um distrito da capital. Em Benfica (mais precisamente, em Murinin), a cerca de uma hora de Belém, há diversas casas com sítios, chácaras e fazendas para desfrutar de contato direto com a natureza. Com muito verde e vida pacata de cidade pequena, Murinin é um ótimo refúgio para os belenenses desfrutarem de sombra e água fresca. Também pude conhecer um pouco da cidade de Benevides, da qual Benfica faz parte, que é um lugar de famílias humildes e muito bonito de se ver. Depois demos a maior volta e fomos ao distrito de Icoaraci (a Vila Sorriso), um refúgio praieiro dos belenenses, onde me deparei com lindas peças de artesanato que são vendidas no local e tive o prazer de desfrutar um peixe frito na beira do rio. Mais tarde em Porto do Sol (no bairro do Jurunas), comprei o famoso pirarucu, mais conhecido como o bacalhau brasileiro. Por fim, visitei a UFPA (Universidade Federal do Pará), onde a Nanda se formou em jornalismo. Ufa! Cansou!

Icoaraci // Foto: Skyscrapercity

Hoje eu estou indeciso. Não sei se vou ao show do Calypso, ou ao Auto do Círio. Dúvida Cruel.

Até a próxima.

Nanda e JazzMan! // Foto: Patrícia Neves

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