sexta-feira, 14 de novembro de 2008

África, com amor e raiva (*)


A figura de uma mulher negra, de impenetráveis olhos azuis, dominou a quarta edição da Festa Literária de Porto de Galinhas (Fliporto), dedicada este ano à cultura africana e encerrada no último domingo no balneário pernambucano. Discreta, tentava circular sem ser notada, mas os jornalistas não lhe davam trégua. Afinal, trata-se da primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, Paulina Chiziane, nascida há 53 anos em Manjacaze, na província de Gaza, criada no subúrbio de Maputo e com um livro publicado aqui(Brasil), em 2004, pela Companhia das Letras, Niketche – Uma História de Poligamia.

Ao lado do escritor Mia Couto, também entrevistado nesta edição do Cultura, Paulina representa o que há de melhor na literatura africana hoje. Ambos, de fato, se complementam e têm opiniões convergentes sobre a estagnação da cultura moçambicana por força de uma crise de identidade que levou africanos a virar agentes da sua colonização. Há, segundo Mia Couto, um certo racismo, ou uma certa hierarquia eurocêntrica que faz os escritores africanos serem colocados à sombra, impedindo que o resto do mundo saiba o que se passa no continente, assumido por seus intelectuais com um sentimento confuso de amor e raiva.

Tanto em Paulina Chiziane como em Mia Couto nota-se certo desânimo pelos rumos que tomou a história de Moçambique desde a declaração de sua independência, em 1975. O escritor considera que o país perdeu sua capacidade de resistência e que nem a língua nem a cultura portuguesa ajudaram a criar uma identidade para os moçambicanos, que se voltam cada vez mais , negros e brancos, para as tradições e os mitos arcaicos. A África não se questiona mais, "perdeu o sentido crítico de se avaliar", diz Mia Couto, seguindo em coro por Paulina Chiziane, assustada com a retromania que empurra Moçambique de volta ao passado.

(*) Publicada no www.estadao.com.br (15.11.08)

Revista Down Beat lista dois brasileiros entre os melhores do mundo

João Gilberto e Ithamara Koorax figuram no top 5 da revista de Jazz. Essa é a melhor posição de uma brasileira desde 1978, quando Flora Purim ficou em primeiro.
Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)

A lista anual dos melhores cantores de Jazz da conceituada revista Down Beat tem dois brasileiros nesse ano. Assim como em 2007, o cantor e violonista baiano João Gilberto e a cantora carioca radicada em Los Angeles Ithamara Koorax foram escolhidos entre os grandes cantores do atual cenários jazzístico.

O pai da bossa-nova, com mais de 50 anos de estrada, mostra que ainda está em plena forma, figurando em 4º lugar numa lista com nomes como Kurt Elling (1º), Mark Murphy(2º) e Bobby McFerrin(3º). Já Ithamara Koorax foi mais longe. Pouco conhecida do público brasileiro, mas muito admirada mundo afora, a cantora ficou na terceira colocação, figurando entre grandes divas, como Diana Krall (1º), Cassandra Wilson (2º) e Dianne Reeves (4º). Esse é o melhor resultado para uma cantora brasileira desde 1978, quando Flora Purim foi eleita a melhor daquele ano.

Em relação a 2007, Gilberto permaneceu na quarta colocação, enquanto Koorax subiu uma posição.

A lista completa da revista ainda não foi divulgada.

Cantores:

1. Kurt Elling
2. Tony Bennett
3. Bobby McFerrin
4. João Gilberto
5. Mark Murphy

Cantoras:

1. Diana Krall
2. Cassandra Wilson
3. Ithamara Koorax
4. Dianne Reeves
5. Roberta Gambarini

http://www.downbeat.com/

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Tamy nos palcos de Maputo

A cantora brasileira Tamy actua esta quinta, 13, na Rua D´Arte, baixa da cidade de Maputo, no quadro das várias iniciativas de intercâmbio cultural entre a Rua D´Arte e outras institutições moçambicanas e estrangeiras que promovem este tipo de actividades de lazer.
Considerada como a nova estrela da música brasileira, no campo da Bossa Nova, Tamy foi premiada em vários festivais de talentos do Brasil, tendo actuado com diversos músicos famosos, entre os quais o grupo Paralamas do Sucesso, Leila Pinheiro, João Bosco e Cláudio Zali.
Tamy tem dois discos editados: "Soul mais Bossa" (2004) e o que leva o seu próprio nome (Tamy) lançado este mesmo ano.
Semana passada, recordo, esteve e actuou em Maputo, a cantora brasileira Marti´nália, filha do sambista Martinho da Vila. Este ano também esteve em Moçambique uma das divas da MPB Gal Costa.
É caso para dizer: o intercâmbio cultural entre Moçambique e o Brasil está a conhecer níveis nunca antes registados.
Refiro que na capital de Moçambique funciona, num edifício construído nas primeiras décadas do século passado, o Centro de Estudos Brasileiros, cujo director é o escritor moçambicano Calane da Silva.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Exposição Fotográfica "Bicho de Rua" Lajeado - RS

O blog JazzMan!, como difusor de cultura, conhecimento e bem-estar, apóia e reverencia projetos culturais que visem trazer uma proposta transformadora para nossa sociedade. Por esse ideal, estamos patrocinando a Mostra Fotográfica “Bicho de Rua”, organizada por nossa colaboradora Carol Leipnitz. Além dela, fotógrafos de diversas cidades também participam da exposição, incluindo Fernanda Melonio que também colabora aqui no blog.

“Bicho de Rua” tem o objetivo de conscientizar adultos e crianças mostrando um lado de nossas cidades a que geralmente não damos atenção: animais que vivem nas ruas, ou mesmo em casas, mas que não são tratados com o devido respeito e dignidade.

Longe de ser apenas uma exposição fotográfica, é uma campanha de cidadania que procura mostrar às pessoas a importância da adoção de um bicho de rua e o quanto este ato requer responsabilidade, amor e consciência. Ao sair de uma situação de abandono e desprezo para o convívio e aceitação em um lar, os animais conseguem demonstrar, tanto quanto os seres humanos, a felicidade, gratidão e paz de um relacionamento respeitoso.


Mostra Fotográfica Bicho de Rua

O evento será feito em benefício da Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis (APASFA) e, além do patrocínio de JazzMan! também contou com Maria da Graça Simões Castoldi, H. Meyer e Fruteira Casa Velha.

http://bichoderua.carbonmade.com/

Serviço

Onde: Le Caffé (Rua Saldanha Marinho, 232, esquina com a Bento Gonçalves - Lajeado - RS)
Quando: de 20/11 a 15/12/2008
Coquetel de abertura: 20/11, às 18h30min

Texto: Carolina Leipinitz, Fernanda Melonio e JazzMan!

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Miriam Makeba: a Luta Continua

Roberto Saviano escreveu Gomorrah, livro publicado em 2006 que expôs detalhes e segredos da Camorra, a máfia napolitana.
As mesmas páginas foram transformadas em filme já este ano e Saviano acabou ameaçado pelas organizações criminosas da cidade de Nápoles.
Miriam Makeba, nome maior da música sul-africana e activista pelos direitos humanos, esteve em Itália para um concerto de apoio ao jornalista-escritor.
Após a actuação, Makeba foi vítima de um ataque cardíaco. Acabaria por morrer, com 76 anos.Na verdade, o seu desaparecimento físico seria sempre motivo de notícia, e não apenas porque associada a uma controversa aparição pública que levou os meios de comunicação de todo o mundo a procurar eventuais teorias conspirativas. Mas a sustentação de tais hipóteses faz-se de fragilidades.
Miriam Makeba manteve ao longo dos anos uma relação de afecto com Moçambique pelo simples facto de que os moçambicanos, durante a luta contra o regime racista da Africa do Sul, acolheram no seu território as bases dos guerrilheiros do Congresso Nacional Africano (ANC), que hoje governam o seu país.
Aliás, milhares de moçambicanos, inocentes, foram mortos em massacres e bombardeamentos da avião sul-africana, justamente porque apoiavam a luta dos seus irmãos.
Nesta quinta-feira, os radiouvintes da Rádio Moçambique, poderão escutar a gravação de um espectáculo que Miriam Makeba abrilhantou no Cinema Gil Vicente em Maputo, capital de Moçambique, no dia 25 de Junho de 1976, um ano após a proclamação da Independência de Moçambique.
O espectáculo, que tem como música principal "A Luta Continua", cuja matriz passaremos no programa "Clube dos Entas", nunca foi editado em disco, não se sabendo se a Rádio Moçambique vai agora permitir, em acordo com a Editora de Miriam, que se publique. O espectáculo, na verdade, é uma relíquia. Muito pouco gente sabe da sua existência na Fiteteca da RM.
Assistiu ao espectáculo o fundador da República de Moçambique, Samora Machel e sua esposa, Graça Machel (hoje mulher de Nelson Mandela). Samora Machel viria a morrer em território sul-africano na queda do seu avião, quando regressava de uma missão em que justamente se debateu a luta contra o regime do Apartheid na Africa do Sul.

O espectáculo pode ser ouvido no: “Clube dos Entas”, Quinta-feira (22H05) ou Segunda-feira (02H05) em 92.3 (FM) ou na net: www.rm.co.mz

sábado, 8 de novembro de 2008

TRIO DE ÚLTIMA HORA

HOJE FAREI UMA GIG NO AO VIVO MUSIC EM MOEMA.

www.aovivomusic.com.br

ÀS 19H

SILVIO DE CAMPOS - GUITARRA

RAFAEL RIBEIRO - CONTRABAIXO

RAFAEL ROMERA - BATERIA