domingo, 13 de julho de 2008

Ponto de Vista: Carolina Leipnitz



Fogo Sobre Terra - Vinícius de Moraes

A gente às vezes tem vontade de ser
Um rio cheio pra poder transbordar
Uma explosão capaz de tudo romper
Um vendaval capaz de tudo arrasar

Mas outras vezes tem vontade de ter
Um canto escuro onde poder se ocultar
Um labirinto onde poder se perder
E onde poder fazer o tempo parar
Oh, dor de saber que na vida
É melhor de saída
Ser um bom perdedor
Amor, minha fonte perdida
Vem curar a ferida
De mais um sonhador




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quarta-feira, 9 de julho de 2008

História e Introdução ao Jazz (parte 8)

Migração para o norte

Chicago

Chicago teve um papel histórico na evolução do jazz importantíssimo que durou do começo da década de 20 até o final da de 30. Se Nova Orleans gerou o jazz, Chicago com certeza foi sua incubadora. Em Chicago o Jazz se consolidou, ganhou adeptos, novas faces e ficou popular. Para lá migraram, provenientes de sua nativa Nova Orleans, os grandes jazzmans da época. Os músicos encontrarão um terreno cultural ideal para o seu desenvolvimento, e Chicago reuniu ao seu redor todo o saber jazzístico de então e foi dos anos 20 até o começo dos anos 40, a capital do Jazz por excelência. Mais porque o Jazz "deixou New Orleans"? Na verdade ele nunca a deixo; Mas aspéctos socio-econônicos e situações históricas contribiaram e forçaram os Jazzmans a procurar um novo terreno de atuação. É desses aspéctos e situações que falaremos hoje.

Em 1917 os USA entraram na segunda guerra; E ate as primeiras listas de mortos serem publicadas, a guerra parecia um grande espetáculo colorido! Os bordeis se entusiasmaram de tal modo com a guerra que o ministério da marinha americana foi obrigado a fechar a digamos, zona de meretrício de Nova Orleans, por motivo de ordem. Isso acarretou na, "migração" de suas jazzbands a procura de trabalho nas cidades do norte. Principalmente pra Chicago, New York, Filadélfia e Detroit. A migração não foi só por parte dos músicos; A modernização agrícola e a aceleração da industrialização, nas grandes cidades do Norte também forçaram trabalhadores do campo, entre outros a ir para o Norte em busca de melhores condições de vida. Os negros eram uma população até então pouco móvel, mas agora eles tinham de sair de sua região natal a procura de trabalho nos grandes centros industriais, principalmente Chicago. Pra se ter uma idéia das proporções desse fato, a população negra de Chicago, New York, Filadélfia e Detroit quase dobraram entre 1910 e 1920, e excedeu o dobro entre 1920 e 1930. A população negra de Chicago quase triplicou! Os jazzmam de New Orleans viram em Chicago ‘a cidade do dinheiro’. Eles encontraram um auditório de negros independentes, entusiastas da musica do sul e com dinheiro suficiente para pagar por ela. Eram negros que trabalhavam em fabricas e recebiam um salário (ainda que miserável), ex-oprimidos e escravos do sul que agora tinham se tornado consumidores e pediam por diversão. Quando eles ouviram as machas alegres e os Blues, pularam de alegria! Inconscientemente o Jazz se tornava a musica de todo o povo Americano.Contudo, a migração dos jazzmem do Sul para Chicago não transformou a natureza de sua musica. Eles continuavam tocando com a mesma energia e alegria que tocavam nos cortejos pelas ruas de New Orleans. O que aconteceu foi que o Jazz encontrou um centro em pleno desenvolvimento que suplicava por diversão e entretenimento. Enfim, uma nova casa, um novo impulso e um incentivo financeiro em expansão.Na próxima semana continuaremos falando de Chicago, das grandes personalidades da época e do grande "BUM" que o Jazz com sua energia e swing troxeram a Chicago e a todo show biss na década de 30!

Espero todos aqui!

tiagotoxa@ig.com.br e Tiago Toxa também no Orkut!



NEW YORK SKA JAZZ ENSEMBLE Teatro Odisséia, Rio de Janeiro 29/6/2008

“RockSteady” Freddie Reiter (saxofone, flauta, vocal) e Alberto Tarin (guitarra), do New York Jazz-Ska Ensemble, durante o show carioca de sua primeira turnê brasileira.

Texto e fotos: Fernanda Melonio

Desde a fila, a expectativa pairava no ar... Primeiro show do New York Jazz-Ska Ensemble no Rio, primeira turnê brasileira. Tinha gente de todo tipo, como costumeiro na Lapa: uns sacavam que o sexteto é tido como o precursor do jazz-ska; outros nem sabiam da possibilidade de combinação do conteúdo melódico do jazz com o ritmo e a harmonia do ska, só estavam ali porque o colega de bar chamou e pronto.

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A única coisa homogênea no ar era a descontração, que foi visível não só no show das bandas de abertura, Djangos e Coquetel Acapulco, como durante todo o tempo em que “RockSteady” Freddie Reiter e seus cinco companheiros brilharam no palco do Teatro Odisséia. Quando ele chegou perguntando se estávamos prontos para o som do New York Jazz-Ska Ensemble e afirmando logo estar “going crazy”, já botou fogo numa platéia que poderia estar até cansada após toda a espera na fila de entrada e a energia das bandas anteriores. Mas o ritmo caribenho deles é aquilo que nossos avós diriam ser capaz de “levantar defunto”. Além disso, ainda fez o público pular com o "Third Wave Ska Revival", uma espécie de mistura de ska com punk.

O vigor e a velocidade dos músicos eram impressionantes. “RockSteady” pulava, dançava, gritava, tocava (MUITO!) e ainda tinha fôlego para tomar uma cerveja e improvisar uma vinheta de “Desafinado”. O show ainda contou com a participação brazuca mais que especial de BNegão, que disse estar esperando há dez anos por aquele momento histórico e muito feliz por compartilhar o palco com a banda. Ele nos contou que a apresentação foi “sem ensaio, na vibe total, e todos nós ficamos felizes com o resultado, graças a Deus... Doideira” (sic).

Quem já gostava, saiu do Odisséia extasiado. Quem não conhecia e gosta de música, deve ter se emocionado. Quem só foi pra beber, ainda assim deve ter ficado curioso em pesquisar o som dos caras no MySpace depois da ressaca. Imune ao som de “RockSteady” e sua turma, garanto que ninguém ficou.





http://www.myspace.com/nysje
http://www.bnegao.com.br/
http://www.djangos.com.br/
http://www.myspace.com/coquetelacapulco
http://matrizonline.oi.com.br/teatroodisseia/

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Podcast: A Música de Wayne Shorter

Olá, bem vindos a mais um podcast: dessa vez o Podcast Farofa Moderna aborda algumas das interessantíssimas composições de Wayne Shorter.

Wayne Shorter se evidenciou, inicialmente, na grande banda - e grande escola do Hard Bop - Art Blakey’s Jazz Messengers, do grande baterista Art Blakey, um dos pais da bateria moderna e um dos maiores mestres da história do Jazz. Já nessa banda o jovem Wayne Shorter se revelou um grande líder e compositor, chegando até ser o braço direito de Blakey. Nesse período a banda também tinha os grandes Lee Morgan e Freddie Hubbard como os trompetistas efetivos. O podcast aborda duas composições do início de Shorter como líder: o programa começa com a composição "Blues à La Carter" e "Pug Nose", criações que estão no disco “Introducing Wayne Shorter de 1959, com os grandes hardboppers que eram regulares colaboradores de Miles Davis até então; em seguida vem uma a composição "Dance Cadaverous" do disco Speak no Evil de 1964. Com tanto sucesso e talento à mostra, Wayne Shorter foi logo requisitado por Miles para substituir o posto que pertenceu à John Coltrane até 1959; até 1963 Miles trabalharia com uma banda indefinida: em 1964 banda define aquele que é chamado de “ segundo quinteto clássico de Miles Davis”, chamando os jovens Wayne Shorter (sax tenor), Herbie Hancock (piano), Tonny Williams (bateria) e Ron Carter (contrbaixo). Para todos na banda, trabalhar com Miles Davis foi uma ascensão e tanto: especialmente para Wayne Shorter que logo ocupou o posto de principal compositor da banda. Essa fase de Miles Davis é conhecida como “jazz modal”, pois desde o lançamento do álbum Kind of Blue em 1959, Miles vinha trabalhando preferencialmente com composições escritas baseadas nas escalas modais propostas por George Russel e não mais em acordes, desencadeando, assim, uma grande revolução harmônica que, de forma elaborada, chegou a convergir até mesmo com atonalidade já presente no Free Jazz: dessa fase tardia do Hard Bop - que também pode ser entendida como o iníco do período denominado Pós-Bop - ouviremos três composições interessantíssimas de Shorter: Pinocchio, Footprints e a balada Íris. Por fim, o posdcast termina com mais duas composições de Shorter, as quais estão no disco The Soothsayer e Adam's Apple, discos de 1965 e 1966 respecitivamente. O ultimo tema do podcas é a linda composição Ana Maria de 1974, fase em que Wayne Shorter já estava trabalhando com o Fusion: nesse ano de 1974, Shorter tinha vindo ao Brasil com seus amigos Herbie Hancock e Airto Moreira, o percussionista brasileiro que tinha sido parceiro de Hermeto Pascoal anos antes e tinha se mudado para os EUA em 1970, chegando a ser um dos regulares integrantes das bandas fusionistas de Miles Davis.

Aqui no Brasil, Wayne Shorter se encantou com a riqueza sonora proposta pelo vigente Tropicalismo e, mais ainda, se encantou com a música lírica e melodiosa do mineiro Milton Nascimento, um dos cantores brasileiros que, cada vez mais, ultrapassava as barreiras nacionais para fazer sucesso mundo afora. Assim, Shorter chama Milton Nascimento para gravar o grande disco Native Dancer em 1974, criando mais um dos maiores clássicos do Fusion. Em “Ana Maria”, composição que está no disco Native Dancer, Wayne Shorter toca lindamente seu sax soprano, instrumento que viria a ser sua segunda opção de trabalho depois do sax tenor.

Observação: Muito embora, alguns críticos afirmam que Wayne Shorter tem seu grande espaço na história do Jazz justamente por causa das suas célebres composições, temos que nos lembrar que ele é também um dos maiores saxofonistas; talvez o único que pudesse substituir John Coltrane no mainstream naquela época: Shorter, que inicialmente tinha Trane como uma das suas maiores influências, se torna um saxtenorista de estilo próprio e peculiar, sobretudo a partir do período em que trabalhou com Miles Davis. O podcast aborda esse período áureo de Shorter.


Download

OBS: se você quiser escutar este podcast sem baixar ou quiser escutá-lo enquanto baixa, é só clicar no player do Podcast Farofa Moderna aqui mesmo no Blog Jazzman: o player se encontra no lado direito, abaixo dos Podcasts Jazzman e Ziriguidum. Boa Audição!

1º Bloco

Blues à La Carter ( do disco “Introducing Wayne Shorter” de 1959)
Pug Nose (do disco “Introducing Wayne Shorter” de 1959)

Wayne Shorter - tenor saxophone
Lee Morgan – trumpet
Wynton Kelly - piano
Paul Chambers - bass
Jimmy Cobb – drums

Dance Cadaverous ( do disco Speak no Evil de 1964)

Wayne Shorter - tenor saxophone
Freddie Hubbard - trumpet
Herbie Hancock – piano
Ron Carter – bass
Elvin Jones - drums

2º Bloco

Pinocchio (do disco Nefertiti – Miles Davis 1967)
Footprints ( do disco Miles Smiles – Miles Davis 1966)
Iris ( do disco E.S.P – Miles Davis 1965)

Miles Davis – trumpet
Wayne Shorter – tenor saxfophone
Herbie Hancock – piano
Tonny Wylliams – drums
Ron Carter - bass

3º Bloco

The Soothsayer ( do disco The Soothsayer de 1965)

Wayne Shorter – tenor saxophone
James Spauding – alto saxophone
Freddie Hubbard – trumpet
McCoy Tyner – piano
Ron Carter – bass
Tonny Williams – drums

Adam’s Apple ( do disco Adam’s Apple de 1966)

Wayne Shorter – tenor saxophone
Herbie Hancock – piano
Reggie Workman – bass
Joe Chambers - drums

Ana Maria ( do disco Native Dancer de 1974 – Wayne Shorter e Milton Nascimento)


Natália Arduino: Leoni caindo na rede


Leoni é um artista que sabe cativar o público e sabe que manter uma ligação com os fãs é de extrema importância para a manutenção da carreira. Nas atitudes inovadoras que toma, não só nos shows, mas principalmente em seu site (http://www.leoni.art.br/) fica claro que o artista quer uma relação cada vez mais próxima com quem curte seu trabalho e até com aquele que não conhece muito bem, mas está disposto a descobrir o que é.
Em tempo de brigas entre gravadoras e usuários da internet que baixam músicas e as compartilham na rede, o cantor e compositor Leoni vem mostrando porque é tão adorado pelo seu público. Desde que inaugurou seu site, a interação com seus fãs só vem aumentando. Começou com apenas um blog, um fórum. Passou para uma votação de qual seria a melhor música do cd que tinha acabado de lançar (“Outro Futuro”) e que disponibilizou integralmente para que os cadastrados pudessem ouvi-lo. Chegou na criação de um tópico para escolher uma música fora do repertório para ser tocada no show da cidade em que estivesse se apresentando, a “Canção Rotativa”, e na participação quase total dos fãs no clipe da música “Lado Z”, escolhida como a preferida do cd pelos cadastrados, através de imagens, não só do Leoni, mas do próprio público, gravadas em shows ou em casa. Agora, o fã tem a chance de expressar suas idéias no blog do próprio Leoni, através de uma votação mensal (entre os cadastrados, o cantor não influencia em nada no processo) para escolher o “colunista do mês” que ganha uma coluna semanal no mês seguinte ao da votação. Como se já não bastasse, na última mini-temporada de shows feita em Niterói, o cantor apresentou mais uma surpresa. Comentou que todos os cadastrados no site receberão por e-mail músicas prováveis que farão parte do próximo disco, com letra, ficha técnica, tudo o que tem direito. A idéia é que o público vote na preferida e assim, o disco será estruturado. Mais uma forma de estreitar a ligação do artista com seus fãs.

Estive presente no show do Leoni, no último sábado (28/06), no Teatro Municipal de Niterói, e só ratifiquei tudo o que já foi dito. O show faz parte do encerramento da turnê “Outro Futuro” que começou em outubro de 2006, no Canecão.

Pontualmente, às 21h, entrou no palco Daniel Lopes, ex-integrante da banda Reverse e guitarrista do Leoni, para o show de abertura, apresentando seu trabalho solo. Cantou a música que dá nome ao seu cd “Mais e mais refrões” e apresentou sua “banda”, um iPod com a base gravada que “não erra, não sai do tom nem reclama”...rs..rs..
Ainda contou com a participação do baixista Andrea Spada, seu companheiro de banda junto com Leoni.
Ás 21:30h, Daniel se despediu do público, cantando “Imagina”, a única música do Reverse presente em sua apresentação, para logo em seguida voltar acompanhando o artista principal da noite.
Leoni abriu o show com “A chave da porta da frente”, parceria dele com Frejat, vocalista do Barão Vermelho. Emendou sucessos dos anos 80 como “Doublé de Corpo” (da época dos Heróis da Resistência) e “Alice” (da época do Kid Abelha). O público acompanhando tudo, cantando junto com o artista. Ainda estiveram presentes músicas do álbum mais recente, “Outro Futuro” e uma “parceria” entre Leoni e Bob Dylan, com “Shooting Star” (que na versão do músico ganhou o nome de “Cometa”).
No meio do show, Leoni explicou um pouco como funciona o site dele, o canal que tem com os fãs e, como resultado da interatividade, apresentou “Fotografia”(Leoni/Léo Jaime) e “O que eu sempre quis”(também da fase “Heróis”), canções escolhidas pelos participantes do site em um tópico chamado de “canção rotativa”(em cada lugar que o músico vai fazer um show, abre-se uma votação para escolher uma música que não está no repertório, para ser tocada. No caso de Niterói, as duas ficaram empatadas). Apresentou também duas canções inéditas, “Do teu lado”, feita com Rodrigo Maranhão e “Dá pra rir e dá pra chorar”, que estão em votação no site para saber qual das duas fará parte do próximo trabalho do cantor.
O show ainda continuou com os sucessos “Educação Sentimental”, “Por que não eu?” (que foi cantada de cima a baixo pelo público enquanto Leoni fazia um passeio pela platéia) e “Exagerado”, encerrando o show. Na volta, para o Bis, tocou ainda “Só pro meu prazer” e saiu muito aplaudido do palco, pelas pessoas que compareceram enchendo o Teatro.

Youtube: Fotografia - Leoni
Teatro Municipal de Niterói, 28/06/2008


Youtube: O que eu sempre quis - Leoni
Teatro Municipal de Niterói, 28/06/2008